Obama em Brasília: energia movimentará relação entre EUA e Brasil

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Sem alusão direta às barreiras ao etanol brasileiro, presidente americano assinou ressaltou a co-liderança brasileira e americana no setor.
português19.03.2011, EFE - Eduardo Davis

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sugeriu a empresários americanos e brasileiros durante visita a Brasília que o petróleo e as energias renováveis serão o motor de uma nova e próspera relação econômica entre as duas nações.

O "futuro chegou" para o Brasil, que agora ocupa um "lugar proeminente no mundo como grande potência econômica e financeira", e além disso conta com um potencial petrolífero extraordinário do qual os Estados Unidos querem participar, disse Obama em um seminário que reuniu uma centena de empresários de ambos os países.

Obama enfatizou a riqueza petrolífera que o Brasil descobriu em águas profundas do oceano Atlântico, o pré-sal, no qual a Petrobras calcula que existam reservas próximas aos 80 bilhões de barris.

"Queremos oferecer tecnologia e apoio para explorar estas reservas petrolíferas de maneira segura e, quando estiverem prontos para começar a vender, queremos ser um de seus melhores clientes", disse o presidente dos EUA.

Pouco antes, Obama havia recebido um convite da presidente Dilma Rouseff para que os Estados Unidos participem de forma ativa na prospecção, exploração e depois consumo dos recursos do pré-sal.

A nova riqueza petrolífera, ao lado dos biocombustíveis como o etanol, dos quais o Brasil e os Estados Unidos são atualmente os dois maiores produtores do mundo, foram alguns dos principais assuntos da reunião mantida por empresários e Obama.

Na abertura do seminário, o subsecretário de Energia dos EUA, David Sandalow, ressaltou o interesse das empresas privadas de seu país no pré-sal.

"Os EUA querem investir e depois ser um bom comprador do petróleo brasileiro", indicou.

Funcionários da diplomacia consultadas pela Agência Efe admitiram a necessidade dos Estados Unidos, que consomem cerca de 25% do petróleo produzido no planeta, de diversificar suas fontes de abastecimento, pois muitas se encontram em países com "alto grau de conflito".

O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, afirmou que o Brasil poderá se transformar em um forte abastecedor de petróleo e derivados, mas em tom crítico afirmou que "negociar com os Estados Unidos é mais difícil do que com a China".

Segundo Gabrielli, "a estrutura do Estado americano não tem instituições para desenvolver uma ação estratégica de abastecimento de petróleo e tudo deve ser feito através do setor privado".

O responsável da estatal também reiterou as queixas do Governo brasileiro pelas tarifas próximas a 30% que os Estados Unidos impõem ao etanol do país.

"O problema do etanol é político" porque os produtores agrícolas americanos "estão acostumados a viver de subsídios", afirmou.

A crítica foi endossada por Rubens Ometto, presidente do grupo Cosan, o maior produtor de etanol do Brasil, que disse que é "injusto" que os Estados Unidos imponham barreiras a uma "energia limpa" como o etanol, enquanto o petróleo ingressa no território americano sem nenhum tipo de imposto.

Obama não fez nenhuma alusão às barreiras impostas ao etanol, mas destacou que os acordos econômicos e comerciais assinados neste sábado pelos dois países permitirão que os Estados Unidos reduzam algumas tarifas em seu comércio com o Brasil.

Esses acordos também apontam para um incremento no comércio bilateral, que no ano passado chegou aos US$ 46 bilhões, com um déficit de US$ 8 bilhões para o Brasil.