EXCLUSIVO | XIII Congresso Brasileiro de Energia debate geração de energia com qualidade de vida

01.12.2010

Como atender à crescente demanda energética sem prejuízo ao meio ambiente, a importância do pré-sal para a economia brasileira, as fontes alternativas de geração de energia e a questão dos biocombustíveis, foram alguns dos temas abordados durante o XIII Congresso Brasileiro de Energia (CBE), promovido pela Coppe e realizado na Firjan em novembro. Energia e qualidade de vida foi o principal foco do Congresso, onde também foi discutida a necessidade mundial de adoção de energias limpas que minimizem o efeito estufa.

A mesa de abertura dos trabalhos contou com a presença do Ministro de Minas e Energia, Márcio Pereira Zimmerman, do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o diretor da Coppe/UFRJ, professor Luiz Pinguelli Rosa.

O ministro Zimmerman destacou o papel da Coppe na retomada do planejamento do setor energético e nas pesquisas sobre petróleo e gás, para as quais o Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), também contribuiu. Elogiou o consumo de etanol no país superior ao de gasolina e o fato de a Petrobras explorar 23% do petróleo mundial em águas profundas, “que será a grande fronteira do setor”.

Preocupado com o desenvolvimento sustentável, o presidente da Petrobras, afirmou que o fato de existir o présal, não exime a empresa da responsabilidade de produzir biocombustíveis, lembrando que a Petrobras é a terceira maior empresa de etanol do País. Em relação ao gás, Gabrielli destacou que a crise da Bolívia serviu como um aprendizado ao País, que desde então investiu US$ 23 bilhões na produção e distribuição de gás. “Com isso, a infra-estrutura do setor saltou de uma rede de 5.600 km em 2003 para 9.600 km em 2010, enquanto a distribuição cresceu de 36 MM/m³ para 62 MM/ m³ no mesmo período, “com picos de 84 MM/m³ no segundo semestre”, completou.

Também presente ao evento, o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, defendeu a exploração do pré-sal através de contrato de partilha, segundo ele, para assegurar o controle do ritmo da produção.

Defendeu a criação de uma estatal, para gerir a exploração, de um fundo social e propôs ainda que a produção de biodiesel fosse intensificada.

Durante os debates, o professor Pingelli Rosa, citou o acidente no Golfo do México, causado pela British Petroleum (BP) como um alerta para a exploração de óleo em águas profundas. “Risco zero não existe”, alertou, defendendo também o modelo de partilha. “Os países produtores, como a Venezuela, têm muitos problemas. A Noruega é uma exceção e é esse o modelo que o Brasil quer trilhar”, destacou. Pinguelli lembrou ainda que, como não é possível aumentar o volume de água nos rios, a alternativa seriam as usinas a fio de água, que geram energia não a partir do acúmulo, mas do fluxo da água do rio.

 

Os desafios da exploração do pré-sal

“Antes que ocorra algum acidente com a exploração do présal, já está sendo projetado pela Petrobras um equipamento de contenção submarina. E mais: existe um plano nacional de contingência, centralizado pelo governo federal, para mover recursos técnicos e humanos que começará a ser simulado em 2011”. A notícia foi antecipada por Solange da Silva Guedes, gerente executiva de Engenharia de Produção da Petrobras, na mesa Desafios da Exploração do Pré Sal e Qualidade de Vida, coordenada pelo professor Alexandre Szklo, da Coppe.

Solange lembrou que de 2010 a 2014, a Petrobras vai investir US$ 224,1 bilhões, dos quais US$ 4 bilhões serão destinados à exploração em geral. Informou que 51% das concessões da estatal estão em águas profundas e o pré-sal abrange uma área de 149 mil km², sendo que 72% dessas reservas ainda não foram exploradas. Há 120 universidades e 70 instituições nacionais e internacionais envolvidas no desenvolvimento de tecnologia para exploração de águas profundas.

 

Energia e qualidade de vida

O professor Luiz Pinguelli Rosa, presidente do CBE, lembrou que 75% do consumo mundial de energia é proveniente de fontes fósseis, mas que o foco no Brasil é a redução dos desmatamentos, responsáveis por maior parte das emissões, enquanto na China é o carvão. Criticou o Programa Luz para Todos de “estica fio”, pois, em sua opinião, deveria ser focado em energia solar e eólica. No caso do pré-sal, Pinguelli defende o modelo Norueguês de exploração, bastante cauteloso.

Em defesa das usinas nucleares falou o assessor da presidência da INB, Luiz Filipe da Silva. Segundo ele, o Brasil tem hoje 441 reatores nucleares, que representam 15% da geração mundial. Há no mundo mais 58 reatores em construção, liderados pela China e Rússia. Ele ressaltou que não há dificuldade para o Brasil executar o Plano Nacional de Energia até 2030. As reservas de urânio superam a demanda e poderão suprir também as necessidades de fosfato, insumo importante para a agricultura.

 

Geração de Energia no Brasil

O fornecimento de energia elétrica está garantido no Brasil pelos próximos 130 anos. A afirmação partiu de Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento do MME, durante a primeira mesa redonda realizada no evento, sobre o tema Desenvolvimento Regional e Geração de Energia no Brasil. Segundo ele, a hidrelétrica é e continuará sendo a mais importante fonte de energia para o País, e o maior potencial se concentra na região Norte.

Empolgado com o atual momento do setor elétrico no Brasil, o presidente da Eletrobras, José Antonio Muniz Lopes, presente no Congresso, elogiou o que chamou de “momento excepcional” do setor de energia elétrica no Brasil, atribuído por ele ao modelo adotado no País. “Estamos com cinco hidrelétricas de médio e grande porte para inaugurar, caminhamos agora para Tapajós (cuja capacidade instalada é de 6.138 MW), além de Itaipu, Angra 3 e do papel estratégico da energia eólica”, acrescentando que a energia elétrica atende a praticamente todo o Brasil.

Os depoimentos dos participantes da mesa coordenada pelo professor Marco Aurélio dos Santos, do Programa de Planejamento Energético (PPE), da Coppe/UFRJ, apontam para um futuro confortável no País em termos de geração de energia. Para atender a demanda dos próximos 20 anos, o Brasil terá de dobrar sua capacidade instalada, patamar que poderá ser atingido com os 180 mil MW gerados na Amazônia. “O Brasil será a potência energética do século 21”, afirmou Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética do MME. O otimismo se justifica. O futuro potencial amazônico se concentra nas usinas a fio de água de Jirau e Santo Antonio e na construção de Belo Monte no Rio Xingu, cuja potência será de 11.233 MW. O projeto original foi reduzido para uma área de 516 km² e as usinas originalmente projetadas a jusante de Belo Monte não serão mais construídas. “Hoje as usinas são feitas com menos área de reservatório, o que reduz a capacidade, mas causa menos danos ao meio ambiente”, esclareceu Tolmasquim.

Em seguida um dos trabalhos técnicos apresentados no evento: Avaliação crítica do atual modelo institucional do setor elétrico brasileiro, por Sérgio Valdir Bajay, da Unicamp.